solipsista, eu? (2)
e ainda querem dizer como é que se bloga, como é que não se bloga. afe. a última que eu vi, sei lá onde, era assim: aplicam-se as seis propostas para o novo milênio à blogosfera, e, entre muitos corolários, extrai-se que não se deve usar o blog pra falar da sua própria vidinha (sic).
mas então como é que ficamos? além da vidinha, o que é se tem? grandes idéias? grandes novidades? grandes revoluções? grandes propostas? tudo grande? vá lá, se todo blogueiro fosse um italo calvino...
entendo. nessa e noutras tentativas de legislar sobre a blogosfera está o raciocínio - rasteiro - de que essa blogosfera, multitudinária, poluída e incontrolável por vocação, corre sempre o risco de morrer de seu próprio sucesso: no limite, haveria um zilhão de ególatras blogando, e nenhum ególatra lendo.
daí que - ainda o temor rasteiro -, quando o cabra der uma busca por, suponhamos, moacyr scliar, ele corre o risco - mortal - de dar de cara com uma série de posts inúteis como este aqui. que não servem nem pra confirmar se scliar é com 'i' mesmo. e isso o cabra não quer.
azar do cabra, por outro lado. nunca saberá que o centauro no jardim, que é a grande obra de scliar, sou eu mesmo. exato. eu, em pessoa e em cavalo. eu, e essa incompletude monstro. eu, e a minha diáspora particular. eu, o centauro ególatra no jardim.
no jardim, não. no escritório. postando, e depois comentando, e depois comentando o comentário, e depois postando o comentário do comentário, e comentando outra vez. até chegar em um zilhão.
mas, como eu dizia, é um raciocínio rasteiro.





2 comentários:
Gostei muito do tom. A ironia é finíssima, no melhor tom possível. Longa vida à liberdade dos blogs!
Olha só:
http://www.anacarmen.com/blog/2007/09/25/blogs-selvagens-x-credibilidade/
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